MUDANÇA

Até que enfm deu certo a mudança de endereço do LITERATURA FANTÁSTICA. Já transferi todas as resenhas que foram aqui publicadas para o nosso novo endereço. A idéia de sair da UOL, vem desde que o blog foi feito, já que o espaço aqui é limitadíssimo e as vezes é terrível editar um texto por aqui, portanto, os nossos visitantes já podem ir alterando o nosso link nas suas listas de favoritos, substituindo-o por :

www.literatura.interativo.org

Aproveito esse espaço para agradecer os companheiros do blog CINÉFILOS, em especial o meu amigo Michel, por ter criado esse novo espaço para nós, grandes fãs da literatura em geral.

A literatura continua fantástica, só mudou de endereço.

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA

 

O SOBRINHO DO MAGO

O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA ROUPA

 

Mais um clássico da Literatura Fantástica. As Crônicas de Nárnia de C. S. Lewis, parecem ter similar importância à obra do genial J. R. R. Tolkien na Inglaterra em meados do século XX. Mas a semelhança entre esses autores não termina em suas nacionalidades. Ambos, além de ingleses, tem em suas obras máximas, uma forte influência cristã (em Lewis essa influência é bem mais explícita), além da criação de um universo mágico, onde criaturas das mais diversas espécies convivem juntas.

Lewis cria em Nárnia, um lugar perfeito, onde os animais falam e seres mitológicos e reais dividem o mesmo espaço, mantendo uma forte amizade e uma doce harmonia. Mas o que seria Nárnia?

Nárnia é um território de paz, criado pelo sábio Leão Aslam (uma clara alusão ao Deus cristão) depois de um belo canto (o que lembra também a origem da Terra Média de Tolkien, criada após Eru dar vida aos Ainur, que com suas melodias perfeitas realizam a criação, como descrito no magnífico Silmarillion), que deu origem a todas as coisas existentes.

As duas primeiras crônicas (ligadas ao primeiro filme), colocadas nessa ordem (que não é cronológica, já que a primeira aventura escrita em Nárnia foi “O Leão, A Feiticeira e o Guarda Roupa”) por vontade do próprio escritor, mostram essa origem do universo, como a Bruxa branca chegou em Nárnia e como se deu o retorno de Aslam e a guerra contra as hordas da temida bruxa.

Talvez a principal diferença entre Lewis e Tolkien, seja o público alvo ao qual suas obras foram direcionadas. Enquanto as aventuras na Terra Média são direcionadas a um público que está transitando da infância para a idade adulta, essas duas primeiras crônicas de Nárnia são claramente direcionadas às crianças. A quase ausência de violência e a colocação de crianças como personagens centrais da história corroboram isso. Mas isso, com certeza, não impedirá os marmanjos, fãs dessa chamada Literatura Fantástica, de se deliciar com o livro.

Boa leitura e preste atenção ao abrir o seu guarda roupa de agora em diante, pois quem sabe ele pode ter sido construído com algum material mágico e levá-lo a aventuras inimagináveis? Caso isso não ocorra, abre o livro e faça isso da maneira mais fácil.

 

PS: Para ver a resenha do filme, no blog Nem Todos São Arte, clique AQUI.

 

Por Vladimir de Sousa

O CORONEL E O LOBISOMEM

ou “Os deixados do Oficial Superior da Guarda Nacional, Ponciano de Azeredo Furtado, natural da Praça de São Salvador de Campos de Goitacases”

 

PONCIANO DE AZEREDO FURTADO: Dois metros de

altura, barba ruiva, fortão, voz grossa, invencioneiro e

bondoso. Por vezes, maluco da cabeça e apreciador de rabo-

de-saia.

 

Confesso que não conhecia o livro até ver o lançamento do filme estrelado por Diogo Vilela, Selton Mello, Pedro Paulo Rangel e Ana Paula Arósio. E apesar de não ido vê-lo, fiquei bastante curioso em ler o livro.

Coronel Ponciano é um personagem extremamente peculiar, reflexo de um período de transição entre uma república baseada nos mandos e desmandos de um pequeno número de pessoas bem relacionadas, munidas de patentes militares e moradoras do interior, e do grande processo de urbanização ocorrido no século XX, que castrou esse retrogrado e datado sistema de relações.

A descrição do próprio personagem principal já nos mostra a preocupação do autor em satirizar esse sistema. Ponciano de Azeredo Furtado, é a matriz de vários personagens que surgiram após o lançamento do livro, como o invencioneiro Pantaleão, criado pelo gênio do meu conterrâneo, Chico Anysio.

Mistura de valentão com froxo, casa nova e quasímodo (não pela beleza, mas pelo sucesso para com as mulheres), experiência no trato com as pessoas e ingenuidade completa no inverso, fazem desse um dos melhores personagens da literatura nacional no século XX.

O autor José Cândido de Carvalho, resume em Ponciano “um personagem que corporifica em seus quase  dois metros de inútil valentia o heróico e patético dos últimos senhores rurais da região canavieira do norte fluminense, destronados pelo incoercível processo de urbanização da sociedade brasileira”.

José Cândido também mistura nos discursos de Ponciano, expressões de inspiração militar e jurídica com expressões tiradas de dentro dos currais e das plantações. Um mistura do  popular e do acadêmico, gerando todo um “palavreado” novo dentro dessa história.

E o Lobisomem do título, onde se encaixa nisso tudo? No livro ele é apenas mais um dos muitos casos contados e enfrentados pelo Coronel, sem nenhum destaque maior.

O Coronel e o Lobisomem de José Cândido de Carvalho é um livro imperdível para os amantes da nossa excelente literatura.

 

Serviços: Carvalho, José Cândido. O Coronel e o Lobisomem. Rocco, 2000.

Por Vladimir de Sousa

AS MIL E UMA NOITES

  

Ler As Mil e Uma Noites é adentrar no exótico mundo da mais famosa compilação de contos (fantásticos) árabes. Ninguém sabe ao certo quem foi (ou quem foram) o autor das fabulosas histórias contidas no livro. Porém, estima-se que as mesmas tenham sido compostas entre os séculos VIII e XV, sendo compiladas neste último. Algumas pesquisas mostram que os contos mais antigos são de origem indo-iraniana e os mais recentes são populares contos egípcios.Esta é uma belíssima coletânea, preservada pela tradição oral de diversos povos orientais e famosa em todo o mundo. No escopo da maioria dos contos, há sempre uma lição a ser aprendida, uma moral a ser assimilada ou, no mínimo, um conteúdo instigante. No entanto, o grande fascínio das histórias, está na apresentação da riqueza contida na cultura oriental, tão diferente da nossa (nem melhor, nem pior) e tão preservada ainda hoje. Ao lermos as histórias, somos, literalmente, levados para um mundo mágico e repleto de personagens fantásticos.

Alguns dos contos são tão famosos, que ganharam “livros próprios” e produções cinematográficas. Quem não se recorda de “Ali Babá e Os Quarenta Ladrões”, “Simbad, o Marujo” e “Alladin”, que transformaram-se em adaptações de todos os gêneros (ação,infantil,aventura)? Ressalto que, embora essas estejam entre as histórias mais famosas, o livro possui outros contos maravilhosos, agradando a todos os gostos.

Em As Mil e Uma Noites, já em sua parte introdutória, somos apresentados a uma história fascinante, que enseja o relato de todas as outras.

Shariar é o sultão de um poderoso reino. Em virtude da traição de sua esposa, Shariar desposa, a cada noite, uma mulher diferente, que é executada logo no dia seguinte. Certo dia, Sherazade, a filha do Vizir (alto funcionário nos reinos muçulmanos) mesmo diante dos apelos do pai, foi a escolhida do sultão. Aparentemente resignada com seu destino, Sherazade tem um plano em mente...

Na primeira hora em que passa com o “soberano”, através de uma sábia e inteligente estratégia, ela começa a contar uma história interessantíssima e, justamente no ponto mais instigante, ao amanhecer, ela interrompe o relato, finalizando-o só na noite seguinte, começando imediatamente outra história. Extremamente habilidosa nessa arte, Sherazade assim procede durante “mil e uma noites”... e, da mesma forma que o sultão, ficamos fascinados e mais interessados a cada novo conto relatado. Tudo que há de mais fascinante, está presente nos contos de Sherazade.

Caso você ainda não tenha lido essa maravilhosa coletânea, eis uma indicação que vale muito a pena arriscar. Principalmente para os ávidos por  leitura...como eu!

 

“As Mil e Uma Noites” – versão de Galland, apresentação de Malba Tahan. Ediouro.

Por Flávia Pires

A METÁFORA DA LIBERDADE
 
"Ao verdadeiro Fernão Capelo Gaivota que vive em todos nós". Richard Bach.
 
As gaivotas são aves litorâneas que não voam mais de 30 metros de altura, fazendo sempre o mesmo percurso: da areia da praia até a superfície do mar a fim de se alimentarem dos peixes e restos de comida deixados pelos barqueiros. Nenhuma gaivota se interessa em ir além disso, todas têm um único objetivo na vida: comer. Todas, exceto Fernão Capelo Gaivota, que mesmo desencorajado pelos seus pais e banido de seu meio, supera as limitações de sua natureza aviária. O clássico de Richard Bach nos fala de forma metafórica sobre a conquista da liberdade. Pois Fernão Capelo não é uma gaivota vulgar como seus pares, presos às rígidas leis do bando. Fernão cria suas próprias leis e realiza o sonho de atingir vôos inimagináveis aos seus semelhantes. A História de Fernão Capelo Gaivota é a história da descoberta do "eu" que busca ser livre à revelia das velhas convenções sociais. O romance de Bach é uma pequena, porém grandiosa, enciclopédia de frases filosóficas e poéticas que fixam emotivamente na memória. Como o personagem- título, o bom leitor vai compreender o quanto é possível fazermos vôos sem pensarmos em limites numéricos; eternizar o momento; ultrapassar as fronteiras do tempo passado e futuro; vencer os obstáculos impostos pelo espaço. Enfim, ser puramente livre. Esse é o pensamento vivo de Fernão Capelo Gaivota.
 
Serviços: A História de Fernão Capelo Gaivota. Ed. Nórdica, 1970, Rio de Janeiro.
 
Sérgio Filho

 

KEN FOLLET

O BURACO DA AGULHA

 

Provavelmente, a grande maioria dos thrilers escritos nos anos 70, tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. Dentro desses livros, temos na sua quase totalidade, romances que de alguma forma trazem como antagonistas, alemães nazistas. O livro “O Buraco da Agulha” do escritor Ken Follet é um exemplo perfeito do que estou falando.

Escrito em 1978, esse livro tem como pano de fundo, o grande perigo que os aliados correram de ter o rumo do conflito catastroficamente alterado, devido à espionagem no final desse terrível conflito. Inúmeros espiões alemães viviam na Inglaterra, sempre buscando passar informações de todas as estratégias dos aliados. E em o “O Buraco da Agulha”, Follet cria um suspense eletrizante envolvendo o (acho eu) fictício e melhor espião alemão Die Nidel e a invasão dos aliados à Normandia em 1944.

No outro lado, estão um professor de História e um agente do Serviço Secreto Inglês. E fechando o triângulo, uma jovem mulher, que muda-se grávida e com seu marido para uma quase deserta e incomunicável ilha, após um grave acidente de carro que o mutilou.

Seriam os aliados capazes de deter Die Nidel, e impedir que ele passasse informações à Alemanha que mudariam os rumos da guerra? E que informações tão importantes seriam essas? A resposta para essas e mais outras muitas perguntas, você terá apenas lendo o livro.

Leitura altamente recomendada.

 

Serviços: Follet Ken. O Buraco da Agulha “The Storm Island” [Tradução de Orlando Lemos]. Série Best Quality. Editora Globo.

 

Por Vladimir de Sousa

MAU- OLHADO

 

Primeiro romance do grande escritor Peter Straub e o terceiro de sua autoria que tive o prazer de conhecer. Nesse, Straub mais uma vez se utiliza do sobrenatural para contar sua história.

Júlia é a personagem central da trama. Abalada e completamente traumatizada com a recente morte de sua filha Kate, ela se afasta do seu truculento, cativante e aparentemente preigoso marido e compra uma casa em Londres. Logo após sua mudança, coisas estranhas começam a ocorrer na casa, que esconde histórias de grande violência em seu recente passado. Será então que essas mudanças têm algo a ver com a terrível morte da filha de Júlia? Será que a criança pretende se vingar da mãe por não tê-la salvo? Ou será tudo fruto do abalo emocional sofrido por Júlia?

Mau-olhado é um suspense sensacional, que cativa do início ao fim e mostra claramente o porque do Peter Straub ser um dos melhores escritores do gênero.

 

Serviços: STRAUB, Peter. Mau-Olhado “Julia”. [Tradução de A. Weissenberg]. Editora Record.

 

Por Vladimir de Sousa

A MESA VOADORA

 

Há pecado mais delicioso que a gula? Para Luis Fernando Veríssimo, definitivamente não. Mesmo que isso venha agravar o seu colesterol.

Em A mesa voadora a comida não foge à inteligência (e ao estômago) do cronista gaúcho.

São crônicas que vão desde conselhos ao leitor, de como se comportar num buffet,-- “É comum o garçom carregar no arroz para poupar o estrogonofe. Ao apresentar seu prato, encare-o e diga, com o olhar: ‘Eu conheço a sua laia, patife. Se me sonegar o estrogonofe, enfiarei a sua cabeça no molho vinagrete até que você morra!”--, passando por críticas à cultura do fast food – “Vivemos nas bordas dessa voracidade ao mesmo tempo ingênua e terrível (...). Somos cada vez mais fascinados e menos críticos diante do grande apetite americano e de um projeto de hegemonia chauvinista e prepotente como sempre, agora camuflado pelos mitos da globalização”— chegando à sua cômica frustração ante “o come e não engorda”—“Ninguém é mais admirado ou invejado do que o come e não engorda (...). É o que come o dobro do que nós comemos e tem a metade da circunferência e ainda se queixa:

           - Não adianta. Não consigo engordar”.

Melhor do que as guloseimas alimentícias, só os textos de A mesa voadora, que são para um guloso leitor tão deliciosos quanto um refinado prato para um ávido gourmet.

Então prepare a mesa, abra o livro e saboreie os “pratos variados” de Luis Fernando Veríssimo.

 

Serviços: Veríssimo, Luis Fernando. A mesa voadora. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

 Por Sérgio Filho

O MUNDO MÁGICO DE HARRY POTTER
PARTE FINAL
Finalmente, o quinto livro, meu preferido por sinal, é nesta aventura que temos a oportunidade de estar diante de um Harry adolescente e aborrecido, cansado de tudo e de todos e que não suportando a pressão de ser Harry Potter, explode em conflitos, agressões, desconfianças e raiva, muita raiva, uma cena muito conhecida por tantos adolescentes e pais no mundo. Em Harry Potter e Ordem da Fênix, chega a hora temida por todos os bruxos do bem, o retorno do mal e de seus seguidores, dá pra sentir na leitura que a hora daquele velho duelo entre a luz e as trevas se aproxima, Voldemort quer retomar seu reino de terror e não pode deixar que o único que já o derrotou e humilhou continue vivo e descarrega sobre Harry todas as suas frustrações de anos em exílio forçado depois que perdeu seus poderes ao tentar matar o bebê Potter, e não é só isso, parece que nada dá certo para o garoto nesse livro, nem mesmo seus relacionamento amoroso com a japa Cho Chang parece querer decolar e para piorar seus melhores amigos começam a ficar de segredinhos pelos cantos, ninguém lhe conta nada do que está acontecendo e Harry então se cansa de ser Harry, também nessa aventura os leitores podem se deliciar com um grande combate de magia onde o próprio Dumbledore enfrenta Voldemort, numa cena descrita com perfeição por Rowling e que é de tirar o fôlego.
Ufa, é isso aí, espero que possa ter esclarecido um pouco sobre que mundo mágico é esse que fascina tanta gente e de quebra ter deixado você curioso ou curiosa quanto aos livros e não cometa o mesmo que erro que eu, não julgue sem antes ler pelo menos um, garanto que você pode acabar se encantando, assim como aconteceu comigo. Eu ainda poderia falar muito mais sobre essa fabulosa série, mas vou deixar para que você descubra o que mais existe no mundo Harry Potter. E fique ligado, dentro de alguns dias o sexto livro da série estará chegando as livrarias brasileiras, Harry Potter e o Príncipe Mestiço, não perca a oportunidade de viver mais essa viagem fantástica pelo mundo da leitura. 
 
        “- Lembro-me de cada varinha que vendi, Sr. Potter. De cada uma. Acontece 
que a fênix cuja pena está na sua varinha produziu mais uma pena, apenas mais uma. É muito curioso que o senhor tenha sido destinado para esta varinha porque a irmã dela, ora, a irmã dela produziu sua cicatriz”. 
         
Divirta-se!!! 
 
Por Leonardo Martins 

VAGALUME

Independente do ‘gosto’ pela leitura, quem viveu sua infância ou pré-adolescência nos anos 80 (embora a coleção, acrescida de novos títulos – descobri através do meu afilhado - ainda seja vendida e utilizada em escolas até os dias de hoje) com certeza deve se lembrar da famosa série “vaga-lume”, publicada pela editora Ática. Livros como “Um cadáver ouve rádio”, “O escaravelho do diabo”,“Sozinha no mundo”,“Enigma na Televisão”,“Barcos de papel”, “Spharion”, etc., povoaram o imaginário dos “infantes/juvenis”, senão por opção, por obrigação de leitura escolar, como livro ‘paradidático’ (nomezinho feio!rs).

A maior parte dos livros foi escrita nos anos 70, mas teve seu ápice na década de 80, quando passamos a conhecer os excelentes livros de autores como Marcos Rey, Lúcia Machado de Almeida, Maria José Dupré, entre outros, que criaram histórias maravilhosas (fantasia ou não) com personagens que povoavam a nossa imaginação, envolvidos nas mais diversas situações, criadas pela mente criativa de seus autores. Todos os livros vinham acompanhados de um ‘folheto’, no melhor estilo “interpretação de texto” (lembram da “matéria” que fazia parte da disciplina de português? rs) formulado de maneira criativa e muito interessante.

A série “vaga-lume”, sem dúvida alguma, é um marco na literatura brasileira direcionada ao público jovem,mas que fez (e faz) sucesso junto a qualquer idade. Num site dedicado à todas as vertentes literárias, que fique registrada essa singela homenagem à uma coleção, que colaborou, e muito, no desenvolvimento da minha (e de muitos outros) paixão pela leitura!

 

Por Flavia Pires

 

A RAINHA DOS CONDENADOS

 

Esse é na minha opinião um dos melhores livros das crônicas vampirescas. Aqui, a escritora Anne Rice, no ápice de seu brilhantismo, apresenta-no a toda mitologia dos sugadores de sangue. A junção de um espírito que aprendeu a gostar de sangue com uma pessoa a beira da morte, levou a origem dessas criaturas. O pai e a mãe de todos os vampiros são apresentados vindos de um Egito pré-faraônico, antes da união entre baixo e alto Egito e construção das pirâmides. Em um período em que tribos canibais matriarcais também povoavam a região.

A Rainha dos Condenados também é o livro onde ocorre a maior expansão do universo criado por ela. Além de apresentados a Talamasca e a própria origem dessas criaturas sobrenaturais, somos apresentados a diversos novos personagens, que se tornaram presenças constantes em outros livros das crônicas vampirescas, como Pandora, as gêmeas Mekare e Maharet, David Talbot, Jesse Reeves, Santino, Kayman, entre outros.

Mas meu destaque maior vai para a criação da espetacular Talamasca, grupo de estudiosos do paranormal que tem como lema: Observar, sem nunca interferir. E é exatamente isso, que na minha opinião, torna esse grupo tão interessante. A história da ordem é aprofundada em vários outros livros das crônicas, e na história das bruxas Mayfair.

 

Rainha dos Condenados, é uma continuação direta do Vampiro Lestat, o final de um é o início de outro e vice-versa. O rebelde Lestat, com sua música, tira Akasha, mãe de todos os vampiros de um sono de milhares de anos. Despertada, a mãe inicia uma terrível saga embebida de insanas idéias entre elas a de destruição da quase totalidade dos homens na terra, com a justificativa de que os homens seriam os responsáveis diretos por todos os males existentes no mundo (guerras, fome etc), e sem eles, esses males encerrariam e seria dado inicio a um próspero período de paz, onde a nova raça humana deveria idolatrar apenas a Akasha, como sua Rainha e a Lestat, como seu consorte.

Para evitar isso, os mais antigos e poderosos vampiros da terra se reúnem com o intuito de evitar que isso ocorra. Mas será que eles conseguirão? E como destruir a mãe de todos os vampiros sem que ocorra a própria destruição de toda a raça?

Mesclando uma aventura de tirar o fôlego, com forte pitadas do mais envolvente mistério e terror, com personagens fortes e tridimensionais (ela sempre teve a preocupação de dar vida aos seus personagens, o que para alguns pode tornar o livro um pouco cansativo, nos momentos em que ela conta as suas histórias) , Anne Rice cria um dos melhores livros do estilo que já li até hoje.

 

Serviço: RICE, Anne. A Rainha dos Condenados. “The Queen of the Damned”. [Tradução de Eliana Sabino]. 5ª Edição, Editora Rocco, 2000.

Por Vladimir de Sousa

UMA NOVA MITOLOGIA ESPACIAL

 

Com O restaurante no fim do universo, a série do mochileiro das galáxias ganha contornos mitológicos. Uma mitologia que a exemplo de tantas outras tem a preocupação de explicar a origem do universo e o sentido da vida, mesmo que ela não tenha sentido nenhum.

Diferentemente de outros mitos que constroem o Cosmos, em sua mitologia Adams vai destruindo tudo o que estiver à sua frente: A terra; a egolatria; e nesse segundo título da série, o universo.Pois é no milliways, o tal restaurante, que vemos todo o infinito se esvair. Um espetáculo ímpar para quem degusta um boi suicida.

Essa continuação é acentuada pelo humor sarcástico do escritor inglês, principalmente devido à sua atitude iconoclasta sempre velada por um verniz cômico. Este é o maior mérito da obra, já que aqui a função lúdica da literatura é destruir para fazer-nos rir, e pensar.

 

Serviço: ADAMS, Douglas. O Restaurante no Fim do Universo “The Restaurant at the End of the Universe”. [Tradução de Carlos Irineu da Costa]. Sextante, 2004.

 

Sérgio Filho

O MUNDO MÁGICO DE 
HARRY POTTER
PARTE III DE IV
 
Mas é no terceiro livro, considerado por muitos o melhor até agora escrito, que Harry enfrenta momentos verdadeiramente sombrios, não só com relação aos seus inimigos, mas também a seus sentimentos e lembranças. Em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, um dos assuntos mais dolorosos para o garoto será abordado, a morte de seus pais. A questão é que Harry é órfão, seus pais foram mortos quando ele ainda era muito pequeno, exatamente pelo tal Voldemort, por isso ele é tão famoso no mundo da magia, “ele é o garoto que conseguiu sobreviver”, fato que o leva a ser criado por seus tios, que não gostam nada da idéia de ter um sobrinho bruxo e fazem de tudo para escondê-lo da vizinhança e o tratam como se fosse nada. Logo no início da narrativa o garoto discute com seus tios e resolve sair de casa, no caminho encontra um tenebroso cão negro que parece querer atacá-lo, mas que desaparece logo em seguida, é com esse clima que a autora nos leva de volta a Hogwarts, onde todos estão assustados com a fuga que ocorreu na prisão para bruxos, Azkaban, o prisioneiro, Sirius Black é considerado um perigoso assassino e seria responsável por ter dito a Voldemort onde encontrar os Potter e também de ter matado um outro bruxo amigo da família. A proteção em torno do menino bruxo é grande, mas parece que nada impedirá Black de chegar até ele e matá-lo, ou quem sabe, o contrário, já que Harry se deixa dominar pelo ódio e anseia por encontrar o responsável pela morte de seus pais. 
 
               
Em Harry Potter e o Cálice de Fogo, (por sinal este é o livro que foi recentemente adaptado para as telonas e que tem estréia mundial marcada para o dia dezoito de novembro deste ano) a autora vai abordar pela primeira vez a questão amorosa na vida do garoto e é onde também Harry vai encarar a morte de frente, quando presencia o assassinato de um colega, tudo isso para que Lord Voldemort conseguisse ficar forte o suficiente para retornar com força total e colocar o mundo da magia sobre o domínio das trevas mais uma vez. Para conseguir, Voldemort envolve Harry em um jogo quase mortal, o torneio tribruxo, uma competição entre três escolas de magia, entre elas Hogwarts. Para participar do torneio, os alunos mais velhos colocam seus nomes dentro do Cálice que dá título ao livro, no dia marcado, o cálice cospe os nomes escolhidos que participarão, um nome para cada escola, qual não é a surpresa de todos quando no dia da cerimônia, um quarto nome é escolhido pelo cálice, adivinha de quem? Isso mesmo, Harry Potter. Depois de muitas discussões, o torneio com quatro participantes ao invés de três, é permitido, mas só no final de tudo, depois que o garoto consegue superar as mais diversas provas, que vão desde enfrentar dragões até um labirinto cheio dearmadilhas, é que o mirabolante plano de Voldemort se revela e mais uma vez o mundo da magia se vê em perigo. 
CONTINUA... 
Por Leonardo Martins
 

O Divertidíssimo diário íntimo de Mario Prata

Minhas tudo

Quando há alguns anos atrás, meu pai (um verdadeiro ‘apaixonado’ pela literatura brasileira e por todos os seus gêneros) entregou-me, empolgadíssimo, diga-se de passagem,essa obra para ler (“Minha filha,você vai adorar”) confesso que pensei em algo constantemente criticado por mim quando observado em outras pessoas, isto é, pré-julgamento de algo que desconhecemos. Eu realmente nunca tinha lido um livro SÓ de crônicas (no máximo lia algumas no jornal dominical). Hoje, já decorrido algum tempo, percebo que cometi um grande erro... pelo menos no que tange às crônicas desse excelente escritor.

Mario Prata, mineiro de Uberaba – Minas Gerais (“coincidentemente” conterrâneo do meu pai,rs), é jornalista, roteirista e escritor. É considerado um dos melhores cronistas do cotidiano brasileiro. Segundo ele, um de seus maiores divertimentos é compartilhar com seus leitores o próprio ofício e tudo o que existe em torno dele. Dessa forma escreveu “Minhas vidas passadas a limpo”, “Minhas mulheres e meus homens” e o maravilhoso e aqui descrito “Minhas Tudo”.

Na referida obra, Mario Prata nos apresenta uma descrição pormenorizada de algumas “coisas” (isso mesmo...”coisas”), tais como alguns objetos (roupa, guarda-chuva, livros,etc) e também circunstâncias e até mesmo “estado de espírito” que fazem parte de nosso dia a dia e que, “por um mero acaso”, acabaram criando situações marcantes e muito, mas muito engraçadas, ou até “tragicômicas” (dentro das possibilidades de interpretar essa palavra,rs). Contudo, hei de ressaltar, não é a isso que se resume este livro. O autor também nos descreve algumas situações (tais como “encontros familiares”) onde não há como não se identificar com determinadas ‘observações’ dele. É impressionante a riqueza de detalhes e a capacidade de enxergar além daquilo que se vê, a qual ele imprime no de correr de suas narrativas. Há algumas simplesmente emocionantes, tal como “minhas separação”, onde ao começar a ler, cria-se a errônea impressão de uma história da separação de um casal, discutindo “quem vai ficar com o que”. Porém, ao longo da narrativa, percebe-se que a “separação”, na verdade, é entre pai e filho, quando o primeiro resolve ir morar em outro apartamento, de forma a dissolver um pouco o “subtendido” conflito de gerações. Após discorrer algumas discussões divertidas sobre essa separação, Mario Prata nos arrebata com um final belíssimo e contundente, sobre o sentimento (seja lá por qual motivo seja) de separar-se (mesmo que só no pequeno espaço em que se vive – casa) de quem se ama muito.

A crônica “minhas homoternurismo” (termo criado pelo autor e que, segundo ele, para sua infelicidade, não foi incorporado ao “Aurélio”) segue um caminho diferente. Quando começamos a ler, somos levados à “sensatas” reflexões sobre o que ele escreve. Entretanto, de forma impressionante, ao final da crônica, somos levados às lágrimas... de tanto rir!

Com todos esses elementos, “Minhas tudo” é um livro sensacional e de um autor espetacular. E conforme descrito na contracapa da obra “.. é um gesto que fica, que nos constrói e nos diverte...muito”. Vale a pena ler!

 

PRATA, Mario – “Minhas tudo” – Editora Objetiva, RJ

 

Por Flávia Pires

ROBERT LUDLUM

O CAMINHO PARA OMAHA

A criação de um Dom Quixote pós-moderno

Mais um excelente livro do escritor norte-americano Robert Ludlum. “O Caminho para Omaha” é mais uma história protagonizada pelos hilários ex-General Mackenzie “louco” Hawkins e seu fiel e forçado escudeiro, o genial e amalucado advogado Sam Devereaux.

No primeiro livro com participação desses personagens (Estrada para Gandolfo, com resenha já aqui publicada), acompanhamos a tentativa do General, com o apoio forçado de Devereaux, a grande ajuda de suas quatro ex-esposas e um grupo de mercenários, com o intuito de realizar o maior seqüestro de toda a história, nada mais, nada menos que a maior figura da Igreja Católica, o Papa.

Aí, na minha opinião Ludlum teria um grande obstáculo, já que depois de um plano como esse, dificilmente ele inventaria uma aventura melhor, ou pelo menos tão boa quanto a primeira. Ainda bem que eu estava enganado, pois a trama desse segundo livro é ainda mais louca e divertida. O General Mackenzie, cerca de dois anos após ter sido chutado do exército pelo governo americano (mesmo tendo sido condecorado duas vezes), bola seu maior plano de ataque. Através de documentos encontrados em um obscuro arquivo, Hawkins encontra um erro cometido há mais de 100 anos, que pode fazer o Governo Norte-Americano perder para a pequena e desaculturada tribo indígena dos Wopotami, quase toda a região de Omaha, em Nebraska. Aí você pode me perguntar, e daí? E daí que em Omaha se encontra o imponente edifício-sede do Comando Aéreo Estratégico dos E.U.A., trocando em miúdos, a primeira linha de defesa do país e fonte de enriquecimento para diversas mega empresas de alta tecnologia. Realmente, Ludlum se supera aqui, colocando seu General em um confronto direto contra o próprio governo que o abandonou em plena China comunista.

É gostosíssimo acompanhar mais uma vez a trajetória desses fantásticos personagens. Sam Devereaux, que ainda sofre bastante devido ao desfecho de sua primeira aventura com o general. Novos personagens, como os truculentos e bobalhões Desi-Um e Desi-Dois, que de ladrões, passam a soldados do “Louco” Mackenzie. Aaron Pinkus, brilhante advogado e chefe de Sam, peça fundamental na estratégia WopotamiXGoverno dos E.U.A.. Jennifer Redwing, brilhante e linda advogada, filha do povo indígena e questão e mais uma envolvida na trama do General. O próprio Mackenzie Hawkins, que continua com todas suas sobrenaturais habilidades, incluindo aí a idolatria de todos os veteranos da segunda guerra mundial que pelo menos ouviram falar em seu nome.

Some a esses personagens uma trama que envolve desde a máfia americana controlada por um dos chefões da CIA, até um grupo anti-terrorista, composto por atores, que nunca disparou sequer um tiro, mas sempre cumpriu todas as suas missões com o mais puro e completo êxito.

Mais um livro indispensável de Robert Ludlum!!!

 

Serviço: LUDLUM, Robert. O Caminho Para Omaha “The Road To Omaha”. [Tradução de Haroldo Netto]. Rocco, 1993.

 

PS: Recentemente, criei no ORKUT, uma comunidade para o mestre Robert Ludlum, quem se interessar em participar, é só clicar AQUI.

 

Vladimir de Sousa

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